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Henrique Caiado (1470 ? - 1509)

Hermicus Caiadus

 

 

Em 1878, num livro sobre a vida e obra de António Urceo, chamado Codro, o italiano Carlo Malagola lamentava que os portugueses não dessem mais atenção ao poeta novilatino Henrique Caiado, cuja obra apreciava. Em 1994, o Prof. Américo da Costa Ramalho, pelo contrário, achava injusto que no estrangeiro se desse tanta atenção a Henrique Caiado, passando-o à frente de outros poetas portugueses de grande mérito, que escreveram em latim, como André de Resende, Diogo de Teive, Inácio de Morais e Diogo Pires. Ao fim e ao cabo, ambos têm razão. No decurso do sec. XX, a obra de Henrique Caiado foi sendo estudada e divulgada, as Éclogas republicadas e traduzidas para francês e português, os epigramas publicados em tradução italiana e publicadas alguns artigos importantes sobre ele. No entanto, a monografia pretendida por Malagola está ainda por escrever. Falta traduzir o segundo livro de epigramas e, sobretudo, falta anotar o livro de poesia de Caiado, indicando, ainda que brevemente, a identificação e biografia de todos os coetâneos a quem ele dedica os seus epigramas ou que simplesmente menciona na sua poesia.  Malagola menciona ainda quatro epigramas, publicados em livros de Direito de André Barbazza (1400-1479), que não são conhecidos em Portugal, e que transcrevi (certamente com erros - do que peço desculpa) aqui.

Henrique Caiado, que mais tarde adoptou o nome poético de Hermicus Caiadus, nasceu em Lisboa, filho de Álvaro Caiado, por volta de 1470. Concordamos com quem diz que não deve ter nascido em 1475, pois isso implicaria a publicação do seu primeiro livro com seis éclogas aos 21 anos, o que é improvável.  Estudou latim e gramática em Lisboa com Pedro Rombo, como refere André de Resende na Oratio pro rostris:

  

 

Multum tamen nostra memoria Lusitanam nationem honestavit Hermicus Caiadus, poeta veteribus conferendus, quem Desiderius Erasmus acerrimi viri judicii, alterque nostri seculi in judicandis scriptoribus Aristarchus, ita laudat, ut eius de Hermico nostro elogium, magnam illis gentibus invidiam faciat, quibus Lusitanum nomen gratiosum non est. Hic tamen idem vates egregius, antequam fatalem sibi Italiam adiisset, prima musarum stipendia in hac schola sub Rhombo grammatico emeruit.

 

 

 

Todavia, em nossos dias, muito honrou a nação lusitana, Henrique Caiado, poeta comparável aos antigos, que Desidério Erasmo, varão de agudíssimo engenho, um segundo Aristarco no julgar os escritores do nosso século, de tal modo louva, que, fazendo o elogio do nosso Henrique, grande inveja causa aos povos que não gostam do nome lusitano. Este mesmo notável vate iniciou, nesta Escola, a sua carreira literária sob a orientação do gramático Rombo antes de partir para a Itália que lhe foi fatal.

 

Tradução do Dr. Miguel Pinto de Menezes                

 

 

Foi estudar para Itália, como era costume em Portugal naquele tempo. Dirigiu-se a Bolonha onde conheceu Cataldo Parísio Sículo, que veio para Portugal em 1486. Calcula-se que tenha chegado àquela cidade em 1485, com a intenção de estudar Direito. No entanto, o jovem estudante é atraído pelo estudo das Humanidades e desloca-se para Florença. Porém, tem o desgosto do falecimento do seu mestre, por pouco tempo, Ângelo Poliziano ou Politianus, que faleceu em 24 de Sertembro de 1494. Tem lições de Marcelo Virgílio Adriani (1464-1521). Regressa a Bolonha, onde é aluno de Filipe Beroaldo Sénior (1453-1505), por quem demonstra muita admiração nos seus versos. Filipe Beroaldo era muito amigo de outro português Luis Teixeira e existe uma interessante troca de correspondência entre os dois:

  

 

 

Ludovicus Tessira Lusitanus Philippo Beroaldo suo S.

 

Poemata Lusitani nostri, quae disiuncta alias ac divulsa membratim plaeraque percurrimus, ea nuper in unum veluti corpus redacta ab ipso et composita opus conflarunt purum, spatiosum, varium, quod maturius intuenti atque libranti singula et admirationem summam afferre possit et delectationem, adeo ut vere mihi videar dicturus disciplinas omnes animorum nostrorum usibus caelo demissas, poesim deliciis. Utinam quae ego de carminibus eius, quae de ingenio conceperim, vulgare possim citra assentationis suspitionem. Ostenderem quippe quantopere poeta noster non modo inter Hispanos excellat, sem etiam urgeat vestrates. Dicerem antiquitatem ab eo apertissime provocatam. Inclyto Luistaniae Principi meo gratularer etiam, cuius imperii felicitate et providentia non solum novus orbis, nova sidera refulgent, sed (ut fortunae suae dominum penitus extitisse constaret) novi et praestantissimi vir ingenii inter tot moracula visitur, ne desit scilicet qui tam nuper inventa divinitus quam quae in praesentia Rex Sanctissimus fortissime molitur possit litteris mandare. Sed quoniam de clarorum hominum laudibus quanto serius iudicium tanto verius existimatur, simul ne civem meum videar indulgentius extulisse, in te, Beroalde doctissime, hoc totum reiicio, a quo, utpote civitatis oraculo, responsa omnes tam legitime ferre possumus quam tu dare. Vale Bononiae Kl. Febru. MD. I.

 

 

Philippus Beroaldus Ludovico Tessirae Equiti Lusitano suo S.

 

Consulis me per epistolam luculenter scriptam, quid de municipis tui ingenio poetico, quid de poematis sentiam. Accipe summatim. Est Hermicus Lusitanus in contendis poematis inegniosus, elegans, florulentus; habet Venerem, habet salem. Sunt illi verba Latina, sententiae poeticae, versus emuncti. Concludit ex epigrammatistarum lege decenter et salse. Ego quidem antiquos scriptores suspicio, non tamen ut recentiores despiciam. Et mehercules cum Hermici versículos bene tornatos, cum scripta tua doctrinam Graecam Latinamque mire redolentia perlego, subit recordatio Hispaniam saeculo prisco máximos philosophos, facundissimos oratores, claríssimos poetas peperisse, quae nostro quoque aevo, cum haudquaquam effoeta sit, pariat ingenia ingenuarum artium foecunda, nec ab illa avorum beatitate vel tantillum degenerantia. In quibus tu, Ludovice mi, cumprimis enitescis, unaque tecum Hermicus, cuius Musa plane musica est, cui quantum novitas derogat auctoritatis, tantum elegantia conciliat gratiae.

Vale et nos dilige, quia te diligimus. Bononiae idibus Febr. M. D. I.

 

 

 

Carta de Luís Teixeira a Filipe Beroaldo – 1-2-1501

 

Os poemas do nosso Português, que na maior parte, aliás, percorremos um a um, separados e desligados, foram há pouco reduzidos e organizados como que em um só corpo, formando uma obra simples, extensa e vária, susceptível de proprcionar a máxima admiração e prazer a quem os ler e analisar mui de espaço um por um. A tal ponto que verdadeiramente me parece que posso dizer que todas as ciências desceram do céu para nosso proveito, e a poesia para nossa delícia. Oxalá eu pudesse divulgar sem suspeita de lisonja o que penso dos seus versos e do seu engenho. Mostraria, por certo, não só quanto o nosso poeta sobressai entre os Hispanos, mas também quanto rivaliza com os vossos. Diria que ele compete abertissimamente com os antigos. Felicitaria também o meu ínclito Príncipe de Portugal, não só por sob o seu feliz e providente império, um novo mundo e novas estrelas refulgirem, mas também (e assim se saberá que foi totalmente senhor da sua fortuna) por se ver entre tantas maravilhas um homem de talento novo e prestantíssimo, certamente para que não falte quem possa escrever, tanto aquilo que há pouco por mercê de Deus foi descoberto, com o que agora o Augustíssimo Rei mui corajosamente planeia.  Mas, porque quanto mais sério for o juízo sobre os méritos dos homens ilustres mais verdadeiro se considera, e ao mesmo tempo, para não parecer exalçar com excessiva benevolência o meu concidadão, remeto tudo isto para ti, doutíssimo Beroaldo, de quem, como oráculo da cidade que és, todos podemos tão legitimamente receber uma resposta como tu dá-la.

Adeus.

Bolonha, 1 de Fevereiro de 1501.

 

 

 

Carta de Filipe Beroaldo a Luis Teixeira - 13-2-1501

 

Consultas-me, em carta elegantemente escrita sobre o que penso do talento poético do teu concidadão e dos seus poemas. Ei-lo resumidamente. O Português Henrique é engenhoso, elegante e florido na feitura dos poemas; tem graça, tem sal. São latinas as suas palavras, poéticas as sentenças, polidos os versos. Remata, segundo a norma dos epigramatistas com elegância e com espírito. Eu admiro realmente os escritores antigos, mas não, todavia, por forma a desprezar os modernos. E palavra de honra,  quando leio os bem torneados versinhos de Henrique e os teus escritos admiravelmente perfumados de saber grego e latino, vem-me à memória que a Espanha produziu nos tempos antigos os maiores filósofos, os mais fecundos oradores, os mais ilustres poetas, sendo ela, no entanto, também no nosso tempo capaz, uma vez que não está de modo nenhum esgotada, de criar engenhos fecundos nas Belas-Artes, em nada desmerecedores daquela felicidade dos antepassados. E entre estes tu, meu caro Luis, brilhas em primeiro lugar, e juntamente contigo, Henrique, cuja musa é esplendidamente harmoniosa, e na qual  quanto de autoridade lhe derroga a novidade, tanto de gracioso lhe concilia a elegância. 

Adeus, e estima-nos, porque te estimamos.

Bolonha, 13 de Fevereiro de 1501.

 

Tradução do Dr. Miguel Pinto de Menezes         

 

   

 

Entretanto seu tio Nuno Caiado e o próprio Rei de Portugal insistiam com ele para que se dedicasse ao estudo do Direito:

  

 

             Ad Nonium Caiadum

 

Discere me cogis, Noni, civilia iura

     Et donare iubes iam mea plectra rude.

Dulcia quis trucibus permutat carmina rixis?

     Quis præfert nostris iurgia rauca iocis?

Sunt leges lachrymae, questus, periuria, lites,

     Invetitumque nefas implicitique doli.

Quis sordes æquis oculis spectare reorum,

     Quis fletus duro pectore ferre potest?

Men nugas audire fori mendacia? Vanis

     Men præbere aures causidices faciles?

Ut iuvat historias veterum monumenta virorum

     Perlegere et mores inspicere inde hominum!

Quid referam arcana sensus in nube latentes?

     Quid referam abstrusis mystica sacra modis?

Adde et convexi claríssima lumina mundi

     Et rerum causas noticiamque deum.

Hæc ego, Pactolum si quis mihi tradat et Hermum,

     Non vendam: est cunctis vitaque morsque eadem.

Quod si divitiis opus est fulvoque metallo,

     Esse inopes musas non patiere mihi.

Tecta ducum subeant alii procerumque penates:

     Tu mihi pro cunctis regibus esse potest.

 

 

               A Nuno Caiado

 

Obrigas-me, Nuno, a aprender o direito civil e mandas-me até desfazer-me da minha cítara. Mas quem troca os doces cantos por violentas disputas? Quem prefere os ásperos litígios às nossas brincadeiras? As leis implicam lágrimas, queixas, perjúrios, disputas, delitos que não se podem impedir e enganos inevitáveis. Quem pode fixar com olhar sereno os pecados dos culpados, comp se podem suportar os prantos com ânimo insensível? Eu escutar como palermices as mentiras do foro? Eu dar ouvidos atentos  aos estúpidos dos advogados? Como é agradável ler atentamente a história, que recorda os feitos  dos varões antigos e assim conhecer os costumes dos homens! Porque deveria aprender os pensamentos escondidos numa nuvem arcana? Porque deveria descrever os mistérios sagrados em modos incompreensíveis? Junta-lhe também as luzes esplendorosas da abóbada do universo, as causas das coisas e o conhecimento dos deuses. Ainda que me dessem o Pátolo ou o Ermo, eu estas coisas não as venderia: a vida e a morte são as mesmas para todos. Porque, se eu tivesse necessidade de riquezas e do amarelo metal, tu não suportarias certamente que as musas me fossem pobres. Que outros se curvem debaixo das casas dos duques e das moradas dos mais poderosos: tu podes substituir para mim todos os reis.

 

Tradução feita a partir da versão italiana de Rita Biscetti             

 

   

Já depois de publicados os seus livros, decide-se finalmente a estudar Direito a sério:

  

 

 

          Ad Nonium Caiadum

 

Legibus incumbo Noni, tua iussa secutus:

     Namque iubere potes et pater et dominus.

Ingenium, Musas, vitam tibi debeo: Cæsar

     Non dare plura potest, non dare plura deus.

 

 

           A Nuno Caiado

 

Nuno, ocupo-me agora com as leis, seguindo as tuas ordens; na realidade, podes dar-me ordens, quer como pai, quer como senhor. A ti devo a minha inteligência, a inspiração poética, a própria vida: César não pode dar mais, nem mesmo um deus pode dar mais.

 

Tradução feita a partir da versão italiana de Rita Biscetti             

 

 

 

As poesias de Henrique Caiado revelam-nos um carácter divertido, folgazão, amigo de agradar, dedicando poemas a toda a gente que apreciava ou simplesmente conhecia. Em face da sua obra, Luís de Matos indica as seguintes estadias:

 

Bolonha – Janeiro de 1495

Florença – 2.º semestre de 1495

Bolonha – Fevereiro a Outubro de 1497

Ferrara – Setembro de 1500 a Janeiro de 1501

Bolonha – Fevereiro de 1501

Pádua – Novembro de 1503

Pádua – Julho e Dezembro de 1503.

 

Entretanto, trabalhos mais recentes em Itália dizem-nos que em 28 de Outubro de 1499, Caiado celebrou com as autoridades de Rovigo um contrato para exercer as funções de professor da Escola Pública local, com a remuneração de 80 Escudos anuais, substituindo Ludovico Ricchieri, que tinha pedido a demissão antes do fim do seu contrato. Antes de ir para Rovigo, Caiado estava em Ferrara onde era amigo de Celio Calcagnini. A Oitava Écloga é dedicada a Zaccaria Contarini, podestà de Rovigo, a quem oferece ainda três epigramas (págs. 161, 165 e 168 do software). A 13 de Agosto de 1500, deixa o ensino em Rovigo e regressa a Ferrara onde fica, pelo menos, até Janeiro de 1501 (carta dedicatória da 3.ª Silva a Rainiero Iacobelli).

 

Constata-se assim que Henrique Caiado era um autêntico "andarilho" em Itália. A sua facilidade em fazer versos fazia dele um tipo simpático, tanto assim que diziam "Ecce vadit theca apollinaris!", "Lá vai o cofre de Apolo!", diz-nos o P.e António dos Reis no seu Corpus.

 

Em 24 de Outubro de 1503, Caiado proferiu o discurso de abertura solene do ano escolar. O ano escolar iniciava-se no dia de S. Lucas, a 18 de Outubro e cada ano era escolhido um aluno para pronunciar um discurso diante das autoridades civis, dos professores e dos alunos.

 

Entretanto, em 1 de Abril do mesmo ano, fora impresso em Veneza um discurso proferido em Caltagirone, pelo seu colega de curso Antonino Barbara Sículo, que incluía, entre outros, um epigrama composto por Caiado.

 

Barbosa Machado afirma que ele se licenciou em Direito na Universidade de Pádua em 1503. Isto não é verdade. Em 15 de Outubro de 1504, no doutoramento i.u. de Filippo Decio, (E.M. Forin, 5.º volume, n.º 347), ele é indicado como testemunha com o qualificativo i.u. scolaris. A mesma Elda Martellozzo Forin afirma que no Verão de 1505 ele era ainda estudante quando fez o elogio fúnebre do Professor Francesco Fazi que teve depois honras de publicação.

 

Henrique Caiado, estudante de Direito iure utroque, anda mal de finanças, pois diminuíram ou desapareceram mesmo as mesadas de Lisboa. Liga-se então a dois estudantes alemães, abastados, Marco Fugger (Fucharus) e Paldolfo Rem (Remus). Dá lições de Humanidades a este último. Marco Fugger é uma espécie de chefe do grupo. Caiado e Rem são conselheiros (conciliarii) do sector jurídico da Universidade, representando as respectivas nacionalidades.

 

No final de 1505, Pandolfo Wolfgang Rem escreve uma composição que, acompanhada de um epigrama de Caiado dedicado a Fugger, é publicada sob o título “Pandulphi Volphgangi Remi Germani Oratio habita Patavii cum quaestiuncula pulcherrime discussa ab ipso an diebus festis legere, studere et scribere liceat. Venetiis : Bernardinus Vitalis Venetus, 1506. X. cal. Februarii”.

 

Caiado era aluno de Francesco Fazi, que veio a falecer no início do Verão de 1505. Caiado pronunciou a oração fúnebre que foi depois impressa, em livrinho publicado em 1507. A 7 de Julho de 1505, o Reitor reúne os conselheiros que escolhem para sucessor de Fazi, o siciliano Giovanni Speraindio, eleito com os votos de Caiado e de Rem.

 

A 29 de Julho, é feita contra Caiado a acusação de que dá lições privadas e, por isso, não é financeiramente independente. Duas das testemunhas indicadas, os irmãos Francesco e Girolamo Soncin dizem mesmo que no ano anterior tinham comprado o voto de Caiado por oito ducados.

 

Apesar de tudo, Caiado é reconfirmado como Conselheiro para o ano lectivo 1505-1506.

 

No final do ano lectivo, Caiado é condenado pelo Reitor, perdendo o direito de voto. Recorre para o “Podestà”, que anula a sentença do Reitor.

 

No início do ano lectivo 1506-1507, Pandolfo Rem sai doutorado em Direito Civil, com grandes louvores, sendo-lhe atribuída a cátedra de “Decretos”. Caiado é nomeado leitor de “Autênticos”.

 

Entretanto, o Conselheiro alemão, Giovanni Colono, ausenta-se por dois meses e nomeia seu substituto, Caiado, que nessa qualidade participa na Assembleia da Universidade de 21 de Outubro, na qual se chama severamente a atenção dos professores para o respeito do antigo costume de “disputar” ao menos durante meia hora, no final de cada lição ordinária.

 

A 31 de Outubro, Caiado aceita substituir como conselheiro da “nação” húngara, Luís de Cáceres, que tem de partir de Pádua. Mais tarde torna-se também Conselheiro da “nação” inglesa. Mas não leva a cabo o mandato, pois desaparece da cidade sem aviso prévio. Constatando que a sua ausência dura há vários meses, a 14 de Março de 1507, o Reitor declara-o demitido e substitui-o por Pietro Merni.

 

É enorme a lista das pessoas a quem Henrique Caiado dedicou poemas, tanto portugueses como italianos:

 

António Galeazzo Bentivoglio

Mino Rossi

Guido Pepoli

Antonio Albergati

Cavaliere Casio

Niccolò Rangoni

Ludovico Bianchi

Gianfrancesco Aldrovondi

Angelo Ranuzzi

Bartolomeo Barbazza

Antonio Urceo, detto Codro

Filippo Beroaldo Junior

Andrea Magnoni

Costanzo Claretti de Cancellieri

Bartolomeo Bianchini

Pandolfo Collenuccio

Antonio Tebaldeo

Celio Calcagnini

Tito e Ercole Strozzi

Benedetto Barbazza

Thomas Langton

 

D. Pedro, Bispo da Guarda

Diogo de Sousa

Febo Moniz

Diogo Pacheco

Luís Melo, Martim Figueiredo

Luís Teixeira

João Castelo Branco

Gomes de Lisboa

Nuno Caiado, seu tio

Arcediago Luís Caiado, seu irmão, doctor in utroque

Lourenço Moniz

Cataldo Parísio Sículo

 

Henrique Caiado aparece referido muito apreciativamente na obra de Lilio Gregório Giraldi, Dialogi duo de poetis nostrorum temporum publicada em 1551:

 

 

  "Hermicus Caiadus, noster poeta Lusitanus fuit Ulysiponensis in epigrammatibus felix, in oratione soluta facilis ac promptus, ut ait Erasmus in Ciceroniano". Quae cum de Hermico dixisset Didacus: "Videris mihi – inquam – Pyrrhe parum de facie, quod dicitur, et corporis filo Hermicum novisse, qui tam pauca de eo tu et Erasmus dicatis. Fuit enim Hermicus Caiadus poeta vester, qui in Lusitania He<n>ricus vocabatur, obesulus corpore, sermone festivus, in Italia, Florentiae, et Bononiae versatus Politiani et Beroaldi tempore, quorum et disciplina et familiaritate usus. Fuit et hic Ferrariae, ubi consuetudine mea et Coelii Calcagnini usus est, sed imprimis Petri Ant(onii) Actioli et N(icolai) Iacobeli causidici eximii: Nic(olaum) vero Paniciatum, virum probum et doctum ac etiam poetam nostratem, qui hic publice profitebatur, aversabatur, quod austerior cum sermone tum moribus videretur.

Dialogi duo de poetis nostrorum temporum, Florentiæ, 1551, online aqui      

 

  

 

A certa altura, a obra de Caiado chegou ao conhecimento de Erasmo de Roterdão (1469-1536). E é este humanista quem nos dá notícia da sua morte em 1509, ocorrida de um modo muito estranho, sufocado pelo álcool do vinho:

  

 

Vinaria angina

 

De αργυραγχη, i.e. angina argentaria, quae multis praeter Demosthenem vocem intercipit, jam antea diximus. At Festus Pompeius indicat joco jactatum in eos, qui vino praefocantur, laborare vinaria angina quam οιναγχην possis dicere. Ipse novi Romae quendam haud vulgariter eruditum qui hac angina serio periit. Hermicus appellabatur, natione Lusitanus. Correptus erat febricula vir corpore supra modum obeso et ob id spirutuosus. Decumbentem invisit Christophorus Fischerus, patria Anglus. “Vin tu” inquit “Hermice, auscultare medicis meras nugas praescribentibus? Bono vino rectius proluetur hoc malum” simulque iussit adferri vinum Corsicum quadrimum. Propinavit aegroto, iubens bono esse animo. Ille persuasu hausit ac mox intercluso spiritu coepit animam agere. Quosdam ebrietas e taciturnis reddit loquacissimus, quosdam contra tam mutos, quam ullus est piscis, citra valetudinis periculum. Utinam haec οιναγχην minus frequens esses apud Germanos.

 

(Adagia, 3702), online pags. 246 e 247

 

 

 

Conheci pessoalmente em Roma um homem de uma erudição pouco comum que morreu desta espécie de angina. Chamava-se Henrique, e era de nacionalidade portuguesa. Excessivamente obeso e, por isso, propenso a faltas de ar, tinha ficado com um pouco de febre. Estava acamado, quando o Inglês Christophe Fisher o veio visitar, e lhe disse: “Henrique, vais dar atenção aos médicos e às suas estúpidas receitas? Com um bom vinho, vais curar a tua maleita.” Assim, fez-lhe trazer um vinho da Córsega, de quatro anos. Serviu-o ao doente, dizendo-lhe para não se preocupar. Este seguiu o seu conselho e bebeu com abundância, mas, perdido o fôlego, entregou a alma a Deus.

 

Tradução feita a partir da versão francesa de M. Bataillon             

 

  

 

Apesar desta notícia de certo modo depreciativa sobre o nosso poeta, Erasmo tinha consideração por ele, como se vê do seguinte trecho:

 

 

 

Et Lusitanos aliquot eruditos novi qui vulgaverint ingenii sui specimen; neminem novi praeter Hermicum quendam im epigrammatibus felicem, in oratione soluta promptum ac felicem, ad argumentandum dexterrimae dicacitatis.

 

De Ciceroniano, online aqui    

       

 

 

Conheço também alguns portugueses eruditos, que deram provas do seu engenho, mas não conheço nenhum, excepto um certo Henrique, feliz nos epigramas, pronto e fácil na prosa, e de habilíssima mordacidade na argumentação.

 

Tradução de Miguel Pinto de Menezes          

 

 

 

Erasmo escreveu ainda um “Epitáfio para um palhaço bêbado”, com estes versos:

  

 

 

        Epitaphium Scurrulae temulenti. Scazon

 

Pax sit, viator, tacitos hos legas versus,

Ut sacra verba mussitant sacerdotes,

Ne mihi suavem strepitus auferat somnum

Repetatque vigiles ilico sitis fauces.

Nam scurrula hocce sterto conditus saxo,

Quondam ille magni clarus Euii mystes,

Ut qui bis octo lustra perbibi tota.

Oculis profundus deinde somnus obrepsit,

Ut fit, benigno membra cum madent Baccho,

Atque ita peractis suaviter bonis annis

Idem bibendi finis atque vivendi

Fuit. Sed etiam me aliquis ebrium credat

Aut somniare, qui ista dormiens dicam

Vale, viator, iam silenter abscede.

 

(Carmina, ASD, 52.), online aqui, págs. 347 e 348

 

        Epitáfio de um palhaço bêbado

 

 

Paz, ó viandante, lê estes versos baixinho, como os padres murmuram as palavras sagradas, por medo que o ruído não me interrompa o doce sono, e que a sede não chegue à minha garganta desperta. É o que eu fui outrora, eu aquele palhaço que ressona escondido sob esta pedra, eu fui o sacerdote famoso dos mistérios de Baco. Eu bebi durante duas vezes oito lustres, depois, o sono profundo insinuou-se nos meus olhos, como quando o corpo é penetrado por uma feliz embriaguez.  Desta maneira, cheguei docemente ao fim desta feliz existência, e cessei ao mesmo tempo de beber e de viver. Mas talvez ainda pensem que estou ébrio ou que estou a sonhar, se falo assim a dormir. Adeus, viandante, retira-te em silêncio.

 

 

Tradução feita a partir da versão francesa de M. Bataillon             

 

 

  

Referir-se-ia ainda aqui a Henrique Caiado? Entendemos que não, embora possa ser uma fantasia poética inspirada pelo mesmo acontecimento. O comentador de Erasmo, Harry Vredeveld, discordando de M. Bataillon, entende porém que o epitáfio se refere verdadeiramente a Caiado, dizendo até que a rima do verso 11, bibendi e vivendi, parodia o vício ibérico de trocar os bês pelos vês. Quanto a "bis octo lustra", considera uma simples hipérbole, já que Caiado morreu antes de completar quarenta anos.

Erasmo recebera de poeta húngaro Jacobus Piso (1480-1527) uma carta com o seguinte post scriptum:

  

 

 

Roma pridie Cal. Iulias M. D. IX.

.............................................................................

Expecto abs te epitaphia scurrulae istius merobibi. Te precor ne me fallas. Ab aliis doctis tuis amicis alia super eo impetrabis et ad me mittes.

Online, aqui

 

 

 

Espero o teu epitáfio do palhaço bebedor de vinho puro. Não me faltes à tua palavra, por favor. Vais saber dos outros amigos que tens entre os eruditos, todos os detalhes sobre o assunto, que depois me enviarás.

 

Tradução feita a partir da versão francesa de M. Bataillon             

 

 

 

O Epitáfio acima transcrito, parece dar satisfação a este pedido. Erasmo deveria conhecer também o epigrama composto por volta de 1425 por António Beccadelli, chamado Panormita (1394-1471), que o incluiu no Hermaphroditus, II, n.º 12, em que o ébrio também se chamava Erasmo:

 

 

12. Epitaphium Haerasmi Biberii ebrii

 

Qui legis, Haerasmi sunt contumulata Biberi

     Ossa sub hoc sicco non requieta loco.

Erve, vel saltem vino consperge cadaver;

     Eripe: sic, quaeso, sint rata quaeque voles!

Ossa sub oenophoro posthac erepta madenti

     Conde, natent temeto fac: requietus ero

 

                       Online aqui

 

  

Jacobus Piso escreveu ainda onze epigramas sobre o assunto, conforme referência em artigo publicado na Hungria sobre o assunto (ver abaixo), de que (claro) só percebemos o resumo em inglês. Este Jacobus Piso era na altura ainda jovem (29 anos) e talvez algo destravado. Tinha estado em Itália, mas não é provável que conhecesse Caiado. Erasmo demonstra por ele também bastante consideração:

  

 

 

 

Huius commemoratio nos deduxit in Pannoniam, nam illic nunc agit, ubi neminem noui praeter Iacobum Pisonem studiosum eloquentiae Tullianae candidatum, sed primum aula, deinde calamitas, nuper etiam mors hominem nobis abripuit.

 

                   De Ciceroniano, online aqui  

 

A "moda" continuou com dois amigos e imitadores de Erasmo. Helius Eobanus Hessus (1488-1540) incluiu dois epigramas com os títulos Divitis Avari Epitaphium  e Adulescentis Prodigi et Ebriosi, Epithaphium, Phaletium no seu livro Hymnus Pascalis (1515), que podem ser lidos aqui. Gilbert Cousin (Cognatus) (1505-1567) redigiu o que se transcreve, incluído na Opera multifarii argumenti:

 

 

Iacobi Normani Hippocratis,

ventris et temulenti, epitaphium

 

Me (ut fit) silenter hic viator aspice,

Ne placidus hic si me reliquerit somnus

Rursum atra miseras occupet sitis fauces;

Nam quod loquor, nunc somniare me credas.

 

 

Resta falar num episódio em que aparece o nome de Caiado, mas para o qual ele não deve ter sido visto nem achado. Em 1505, Valentim Fernandes, Valentinus Moravus ou Valentin Fernandez Aleman escreve a dois epigrafistas de nomeada, Hieronymo Münzer (ou Hieronimus Monetarius), de Nurenberga e a Conrad Peutinger, dizendo-lhes que a 9 de Agosto daquele ano fora desenterrada uma pedra com um oráculo predizendo os feitos dos navegadores portugueses (Carta a Hieronimus Monetarius, aqui, uma versão francesa, aqui). Tratava-se, evidentemente, de um documento falso. Mas em  en 1565, Gaspar Barreiros em Censura in quendam auctorem qui sub falsa inscriptione Berosi Chaldaei circunfertur Gaspare Varrerio auctore, atribui a Henrique Caiado a falsificação. A monografia referida a seguir de A. Momigliano rejeitou esta acusação, porque Caiado não estava em Portugal nessa altura e, com toda a probabilidade, nunca regressou a Portugal antes de falecer.

Henrique Caiado tinha uma grande consideração por seu irmão, que é identificado como Doutor iuris utroque e Arcediago de Lisboa, a quem dedicou o seguinte epigrama:

 

Ad Ludovicum Cauadum Archidiaconum

 

Si pietas, si prisca fides coleretur et esset

     in pretio uirtus sanctaque relligio,

conspicuus meliore loco, Ludouice, sederes

     fulgeretque apice frons tua purpureo

et te pastorem peteret sibi ouile Tonantis

     et nulli errarent per tua rura lupi,

aurea sed fuluo splenderent saecla metallo

     aeternumque scelus exilium lueret.

Sed quoniam sua fata regunt hominesque deosque

     et Fortuna uices fertque refertque suas,

uiue, boni solum decus et noua gloria fratris,

     uiue diu, nostri praesidium generis.

Sit satis et patria locus haud postremus in urbe,

     sit satis et meritis deesse tuis aliquid.

                     Ao Arquidiácono Luís Caiado

 

Se a piedade, se a antiga probidade fossem cultivadas

     e o justo valor fosse dado à virtude e à santa religião,

mais famoso e em lugar de mais relevo, ó Luis, terias assento,

     e havia de resplandecer a tua fronte com o barrete de púrpura,

e o rebanho havia de reclamar-te por pastor ao Tonante

     e por tuas pastagens lono algum vaguearia;

mas, pelo contrário, séculos de oiro haveriam de refulgir com o louro metal,

     e o crime eterno seria condenado ao exílio.

Mas já que fados próprios regem homens e deuses,

     e a Fortuna faz e desfaz as suas voltas,

vive, honra única do bem e nova glória do teu irmão,

     vive por largo tempo, protecção de nossa raça.

Possa bastar-te um lugar não derradeiro na cidade pátria,

     Possa bastar-te, até, que fique um pouco aquém de teus merecimentos.

   
  Tradução do Prof. Doutor Carlos Ascenso André (em Mal de Ausência), cuja autorização para a sua reprodução se agradece.

 

Aqui ficam mais alguns dos epigramas de Henrique Caiado, com tradução feita a partir da versão italiana de Rita Biscetti:

 

 

 

        Ad Rectorem Bononiensem

 

Quantus honos fuerit tibi quantaque gloria, rector,

     Et quantis te omnes laudibus extulerint,

Hic novisse potes: nemo non lætus abivit,

     Nemo non fartus nemoque non titubans.

Cantavere omnes Bacchum baccheaque sacra:

     Bentivolus Galeax ebrius ipse fuit.

Ipse loquebatur ego centum tum denique linguis

     Et cecini súbito carmina mille pede.

 

 

        Ao Senhor de Bolonha

 

Senhor, quão grande tenha sido a tua dignidade, quão grande a tua glória e com quantos louvores todos te tenham celebrado, podes aferi-lo do seguinte: ninguém se foi embora que não fosse contente, ninguém que não tivesse comido com abundância, e ninguém que não tivesse bebido também com abundância.

Todos celebraram Baco e os ritos báquicos; o próprio Galeazzo Bentivoglio estava ébrio. Eu mesmo já falava em cem línguas e pus-me a cantar de improviso mil poemas bem ritmados.

 

 

 

 

 

        Ad Pestinum

 

Militia et Musis ætas gaudebat avorum

     Cumque bonis agros artibus excoluit.

Tempora nostra Venus, Bacchus ludusque gubernant

     Et quidquid morum deteriora parit.

Hinc Pestine liquet quam sit laudanda vetustas;

     Nos nati – misera o sæcula! – fæce hominum.

 

 

       

A Pestino

 

A era dos nossos Avós gozava da milícia e das Musas e cultivou os campos com artes honestas. Mas o nosso tempo é governado por Vénus, por Baco e pelos jogos e por tudo o que contribui para a deterioração dos costumes. Por isso, Pestino, torna-se claro quanto devem ser louvados os antigos. Nós, ao invés, nascemos – ó séculos infelizes – do refugo dos homens.

 

 

 

 

 

        Ad Laurentium Monizium

 

Nuntius aëris Rhombum cecidisse sagittis

     Dixerat, ingratus nuntius ille mihi:

Præceptoris enim nostræ præpono salutem,

     Cuius ab ingenio carmina nostra fluunt.

Quidquid doctrinæ, quidquid mihi contigit artis,

     Ille dedit, princeps grammaticumque decus.

Vivere, Laurenti, docuit tua littera Rhombum,

     Lettera Castalii tincta liquore lacus.

Nestoreos Rombo concedat Iuppiter annos,

     Tithoni vivat Rhombus et ipse dies.

Et tibi, lætitiam tantam qui forte tulisti,

     Contingat longæ posteritas honos.

 

 

 

        A Lourenço Moniz

 

Um mensageiro tinha dito que Rombo caíra ferido pelas velozes setas, mensageiro que se me tornou muito antipático: de facto, eu anteponho a salvação do meu mestre à minha, já que os meus poemas derivam da sua inteligência. Tudo o que eu tenho de ciência e arte, foi ele quem mo deu, príncipe e glória dos gramáticos. A tua carta, Lourenço, informou-me que Rombo está vivo, uma carta tingida na água do Lago Castálio. Que Júpiter conceda a Rombo os anos de Questor, que o próprio Rombo possa viver os dias de Titão. E que também a ti, que me trouxeste tanta alegria, caiba a honra de uma longa posteridade.

 

 

 

 

 

 

 

        Epitaphium Camilli Vitelli

 

Quisquis ad has partes venisti forte viator,

     Siste pedem et saxis carmina sculpta lege.

Hic iacet (heu passus crudelia fata!) Camillus

     Armipotens hosti terror ubique suo.

Belli fulmen era pallorque Vitellus in armis:

     Obfuit huic tantum maxima vis animi.

Lux patriæ generisque dectus, spes una suorum,

     E medio vitæ tramite raptus obit.

Terra cadaver habet, virtutis tempore in omni

     Nomen erit, cœli spiritus alta petit.

 

 

 

        Epitáfio de Camilo Vitélio

 

Ó tu, peregrino que por acaso chegaste a estes lugares, trava os teus passos e lê os versos esculpidos no mármore. Aqui jaz (infelizmente vítima de um cruel destino) Camilo, poderoso nas armas, por todo o lado terror dos seus inimigos. Vitélio era um raio na guerra e um terror entre as armas. Só o prejudicou a sua enorme força de ânimo. Luz da pátria e esplendor da sua raça, única esperança dos seus, morreu raptado do meio do caminho da sua vida. A terra possui os seus restos, mas a fama da sua virtude viverá todo o tempo e o seu espírito sobe ao alto dos céus.

 

 

 

 

LIVROS PUBLICADOS

 

1496 – Eclogae, Bolonha, Impr. Justinianus de Ruberia  (6 primeiras éclogas)

 

1501 – Aeglogae et silvae et epigrammata Hermici, Bolonha, Impr. Beneditus Hectoreus (9 éclogas, 3 silvas e 2 livros de epigramas).

Online aqui http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k60268c

Indice (páginas do software): Éclogas - 9; Silvas - 69; Epigramas - 1.º livro - 96; Epigramas - 2.º livro - 135.

 

1504 – Hermici oratio cum epistola ad Bartholomeum Blanchinum Bononiensem, Veneza, Impr. Bernardinus Vitalis Venetus. (3 textos)

 

1507 – Hermici oratio cum epistola ad Ludovicam Leonem Patavinum iuris consultum, Veneza, Impr. Bernardinus Vitalis Venetus. (3 textos)

 

P.e António dos Reis, Corpus illustrium poetarum Lusitanorum, Lisboa, 1745, 1.º vol. Pgs. 35-259. Nota: A transcrição no Corpus do 1.º livro de epigramas omitiu, certamente por lapso, o epigrama VI De Rectore Bononiensi, ficando a numeração errada a partir daí. O mesmo aconteceu na tese de Adalberto de Azevedo, mas não no texto de Rita Biscetti. Também no 2.º livro de epigramas não foram transcritos 9 epigramas.

 

 

TEXTOS CONSULTADOS

 

Bibliotheca lusitana historica, critica, e cronologica : na qual se comprehende a noticia dos authores portuguezes, e das obras, que compuserão desde o tempo da promulgação da Ley da Graça até ao tempo presente, por Diogo Barbosa Machado (1682-1772), 4 vols., 1741. Transcrito aqui.

 

Innocencio Francisco da Silva, Diccionario bibliographico portuguez e estudos applicaveis a Portugal e ao Brasil

 

Nicolau António, Bibliotheca Hispana noua : sive Hispanorum scriptorum qui ab anno MD ad MDCLXXXIV floruere notitia / auctore D. Nicolao Antonio ; tomus secundus, Madrid, Apud Joachimi de Ibarra., 1788. Online aqui (págs. 601 e 602 do software).

 

Lilio Gregorio Giraldi (1479 - 1552), Dialogi duo de poetis nostrorum temporum, Florentiae : [s.n.], 1551

Online: http://www.bibliotecaitaliana.it:6336/dynaweb/bibit/autori/g/giraldi_lilio/de_poetis

  

A. Moreira de Sá,  Humanistas portugueses em Itália e subsídios para o estudo de Frei Gomes de Lisboa, dos dois Luíses Teixeiras, de João de Barros e de Henrique Caiado, Lisboa, Imp. Nacional - Casa da Moeda, D.L. 1984.  203 pgs.

 

Artur Beleza Moreia de Sá, Duas obras desconhecidas de Henrique Caiado, Lisboa, 1956, Sep da Rev. Facul. de Letras de Lisboa, 22.

 

Américo da Costa Ramalho, Origem e início do humanismo em Portugal, in Para a história do humanismo em Portugal, vol. III, Lisboa, INCM, 1998.

 

Américo da Costa Ramalho, Um epigrama de Henrique Caiado, in Para a história do humanismo em Portugal, vol. III, Lisboa, INCM, 1998.

 

Américo da Costa Ramalho, «Pedro Sanches sobre Henrique Caiado», Boletim de Estudos Clássicos. Coimbra. 37 (Junho de 2002) 97-98

Online: http://www.uc.pt/eclassicos/publicacoes/conteudo1_bec_detalhes.php?PnID=37

 

Américo da Costa Ramalho, «Hermici Cayado. Ad Cataldum Parisium Siculum. Epigramma», Boletim de Estudos Clássicos. Coimbra. 33 (Junho de 2000) 95-96

Online http://www.uc.pt/eclassicos/publicacoes/conteudo1_bec_detalhes.php?PnID=33

 

Américo da Costa Ramalho, «Hermici Cayado, Ad Emmanuelem Regem Epigramma" “Boletim de Estudos Clássicos. Coimbra. 30 (Dezembro de 1998) 149-150

Online: http://www.uc.pt/eclassicos/publicacoes/conteudo1_bec_detalhes.php?PnID=30

 

Tomás da Rosa, As éclogas de Henrique Caiado, traduzidas e comentadas. Coimbra, 1954, sep. de Humanitas, vols. 2 e 3 da nova série

 

Litteratos portuguezes na Italia ou collecção de subsidios para se escrever a Historia Litteraria de Portugal que dispunha e ordenava Frei Fortunato Monge Cistercense, in António de Portugal de Faria, Portugal e Itália, Leorne, Tip. De Raphael Giusti, 1905, 237 págs.

 

António Domingues de Sousa Costa, Portugueses no Colégio de S. Clemente e Universidade de Bolonha durante o século XV, Real Colegio de España, Bolonia, 1990, 2 vols. ISBN 84-600-7452-8, pgs. 793 a 824h

 

Nuno J. Espinosa Gomes da Silva, Humanismo e Direito em Portugal no século XVI, Lisboa, 1964, Tese de doutoramento, pgs. 147 a 171, em especial pgs. 156 e ss.

 

“Henrique Caiado”, in Dicionário de literatura: literatura portuguesa e literatura brasileira, literatura galega, estilística literária -dir. Jacinto do Prado Coelho,  Porto, Figueirinhas, 1978

 

“Henrique Caiado”, in Contemporaries of Erasmus - a biographical register of the Renaissance and Reformation, Peter G. Bietenholz, Thomas B. Deutscher, Toronto, Univ. of Toronto Press, 1985-87.

 

“Henrique Caiado”, de Luis de Matos, in Dicionário de História de Portugal - organ. Joel Justino Baptista Serrão, Lisboa, Iniciativas Editoriais. 1970.

 

“Henrique Caiado”, in Musae reduces. Anthologie de la poésie latine de la Renaissance.  2 vols.  E.J. Brill, 1975. ISBN  2-251-69400-5

 

"Henrique Caiado", de Carlos Ascenso André, in Biblos : enciclopédia Verbo das literaturas de língua portuguesa, direcção de José Augusto Cardoso Bernardes, Lisboa, Verbo (1995-1999)

 

Carlos Ascenso André - Mal de ausência: o canto do exílio na lírica novilatina portuguesa do século XVI, Tese de doutoramento, Faculdade de Letras, Editora Minerva, Coimbra, 1992,  673 págs, ISBN 972-9316-42-2

 

Rita Biscetti, Contributo alla storia dell'umanesiano portoghese - il primo libro degli Epigrammi di Henrique Cayado, Paris - Fundação Calouste Gulbenkian, - 1978, sep. do Arguivo do Centro Cultural Português, 13

 

Les "Églogues" d'Henrique Caiado ou l'humanisme portugais a la conquête de la poesie neo-latine - texte présenté, trauduit et commenté par Claudie Balavoine, Lisboa, Fund. Caloute Gulbenkian, 1983, 246 pgs.

 

Marcel Bataillon, La mort d’Henrique Caiado, in Études sur le Portugal au temps de l’humanisme, Coimbra, Universidade, 1952.

 

Carlo Malagola, Della vita e delle opere di Antonio Urceo, detto Codro - studi e ricerche, Bologna, Tip Fava e Garagnani, 1878, 597 págs.

 

Acta Graduum Academicorum ab Anno 1406 ad Annum 1550, a cura di Elda Martellozzo Forin, Padova, Antenore, 1968-1971- 7 vols.

 

Elda Martellozzo Forin, "A Padova col Caiado: Marco Fugger e Pandolfo Rem (1504-1508)", cap. III do texto "Studenti e dottori tedeschi a Padova nei secoli XV e XVI", in Quaderni per la storia dell'Università di Padova, n.º 4, Padova, 1971, pgs. 76-97.

 

Francisco Rebelo Gonçalves, Recensão de The Eclogues of Henrique Cayado, edited with introduction and notes by Wilfred P. Mustard, Baltimore, The Johns Hopkins Press, 1931, 98 pgs., in Obra completa, 1.º vol., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1955.

 

The Eclogues of Henrique Cayado, edited with introduction and notes by Wilfred P. Mustard, Baltimore, The Johns Hopkins Press, 1931, 98 pgs.

 

Adalberto de Azevedo, Apreciação literária do (1.º) livro de epigramas de Henrique Caiado, Lisboa, 1953, Tese (dactilografada) apresentada à Fac. de Letras de Lisboa, 33 fls.

 

Tomás da Rosa Pereira Júnior, O bucolismo em Caiado e Bernardim, 1950, Tese (dactilografada) apresentada à Fac. de Letras de Lisboa, 136 fls.

 

Poems, Collected Works of Erasmus,  Volume 85, Clarence H. (TRN) Miller, Harry (EDT) Vredeveld, University of Toronto Press, 1993, ISBN 0802028675, 835 pags.  

 

Arnaldo Momigliano, Enrico Caiado e la falsificazione di C.I.L. II, 30, in Studi in onore di Enrica Malcovati, sep. de Athenaeum, nuova série - vol. XLII, fascicolo i-IV - 1964, Università di Pavia, pag. 3-11.

 

Primo Griguolo, Notizie sulla scuola pubblica di Rovigo, Lodovico Ricchieri ed Ermico Caiado, in Italia Medioevale e Umanistica, XXXV (1992), a cura di Giuseppe Billanovich, Augusto Campana, Carlo Dionisotti, Mirella Ferrari, Paolo Sambin, Editrice Antenore, Padova, MCMXVII, pag. 421-429.

 

Primo Griguolo, Grammatici, Notai e Uomini di Cultura nel Polesine tra XIV e XVI secolo - Ricerche d'Archivio, Venezia, Deputazione Editrice, 2001.

 

Domenico Maffei, Chiose su Henrique Caiado, in Italia medioevale e umanistica, n.º 38, 1995, Padova, pág. 365-370.

 

Jankovits Lázló, Erasmus, Piso és az iskákos bohóc, in Humanista Müveltség Pannóniában, 2000.

Online: http://www.neumann-haz.hu/muvek/humanistamuv/humanistamuv.pdf

 NOTA: Agradeço toda a ajuda que me foi prestada na recolha de bibliografia por parte do Centro per la Storia dell'Università di Padova.

 

 

 

 

HENRIQUE CAYADO, filho de Alvaro Cayado, e de sua consorte Anna ornada de todos os dotes da natureza teve por patria a inclita Cidade de Lisboa onde na idade da adolescencia aprendeo os preceitos Gramaticaes de Gonçalo Rombo celebre professor de letras humanas. Anhelando o seu talento, que era prespicas, instruirse com sciencias mayores se resolveo passar a  Italia atrahido da fama do grande Filologo Angelo Policiano a cujo  dezejo condescendeo seu Pay o qual obtendo faculdade delRey (a quem  era muito aceito pellas açoens politicas, e militares que em obsequio  desta Coroa tinha obrado) para que seu filho sahisse de Portugal, o mandou abundantemente provido de tudo quanto lhe era necessario para  Bolonha em cuja Universidade havia frequentar o estudo da  Jurisprudencia Cesaria porem como o seu genio se não inclinasse a esta  Faculdade dedicou toda a aplicação à cultura das letras humanas em  que com summa deleitação consumia o  tempo. Florecia neste tempo em Bolonha Cataldo Parisio natural de  Sicilia sublime cultor do Parnasso de cujo magisterio sahio tão egregiamente instruido, que chegou a competir na suavidade da metrificação com o Mestre eternizando em o Epigramma seguinte os  progressos, que fizera na Poezia com as suas instruçoens.

 

Otia si qua tibi fuerint, si quando vacabit,

Versiculos nostros, docte Catalde, leges:

Versiculos e fonte tuo quos hausimus, & quos

Dictare haud dubie visus es ipse mihi,

Formasti ingenium primus, primusque per altos